você nunca sabe – parte 2




Continuando os encontros e reencontros!
(Devido à Copa do Mundo, o site ficou um bom tempo sem mensagens. Mas agora iremos publicá-las com mais frequência)
No sentido horário:
Num albergue, encontramos Heiko. Ela meio que desencanou da vida pra viajar pelo Japão inteiro. Saiu do trabalho, vendeu algumas coisas e comprou uma moto usada (e bem mequetrefe) para conhecer novos lugares e pessoas. Coragem.
Um dos melhores jantares da viagem. Os primos do Vitor nos levaram para um restaurante que fica no último andar de um shopping center especializado em shabu-shabu. Comemos Kobe Beef até dizer chega.
A família Yoshii, de Tóquio. Moram numa casa grande para os padrões nipônicos. Três andares que esses dois diabinhos ficavam subindo descendo berrando brincando! Haja energia (e um pouco de paciência). O reencontro foi com a Masayo, que havia conhecido em 1998 em Praga, na Rep Checa.
Últimos momentos no Japão. Kazuki foi até o aeroporto de Narita, Tóquio, se despedir. A derradeira refeição num McDonald's, comida predileta dele. Um dos sonhos de Kazuki é trabalhar numa lanchonete do Mac e aprender como eles conseguem fritar tão bem as batatas fritas. Um figurassa…
você nunca sabe – parte 1
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Você nunca sabe o que esperar.
Esse é um bom lema para qualquer viagem por mais planejada que seja. Ainda mais quando você tem a intenção de reencontrar antigas amizades.
Por mais que exista um laço de amizade, você nunca sabe o que vai acontecer. Se vão te receber bem, se vão te estranhar, se você é a pessoa que imaginavam que você era em cartas e emails.
E tem também o seu lado. Será que eu vou me sentir bem, será que eles ainda são legais como foram antes, será que eles estarão muito ocupados, será que eu vou atrapalhar.
Mas o importante é não entrar em parafuso com essas ponderações. O jeito é se concentrar para ser o mais receptivo possível. O resto você leva de acordo com a maré.
Felizmente, todas as respostas foram respondidas mais do que positivamente. É incrível a receptividade dos japoneses. Como prezam e dão importância a uma pessoa que sai de seu país para visitar e conhecer a sua cultura.
Uma coisa todos podem constatar neste blog: te entopem de comida! E isso é muito bom! Pode apostar.
Nas fotos, em sentido horário:
Yuko, carregando Terça-feira, e Motoshi com Sexta-feira: primos de minha mãe que moram em Kobe. Motoshi é um sacerdote xintoísta, que morou no Brasil durante um bom tempo e ainda fala português. Ele confunde "macarrão" com "camarão".
Vitor, o casal Mori e Takeshi: família do Vitor na cidade de Himeji. Foi o patriarca dos Mori que me fez experimentar o sushi de esperma de peixe… Mas é um cara muito bacana.
Irmã Olga: minha primeira professora. Morou no Brasil e deu aulas para mim quando tinha uns seis anos. Hoje, mora em Hiroshima ajudando os brasileiros dekasseguis. Vida dura para uma senhora de 80 anos.
Yoshizu e sua bike de fibra de carbono: em encontro por acaso. Estávamos perdidos e ele nos mostrou as direções. À noite, quando fomos jantar, entramos em um restaurante e adivinha quem era o dono? Yoshizu, um ciclista ocasional que nos deu ótimas dicas.
cheers,
Cassio
“clínéx”
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Um saquinho de lenços é um dos seus melhores amigos no Japão.
Geralmente, são distribuídos nas estações de trem ou vendidos em máquinas de moedas dentro dos banheiros.
Porque dentro dos banheiros? A maioria deles não tem papel higiênico… Falando em banheiro, há de se mencionar que lavam-se as mãos, mas não há sabonete – claro que papel-toalha também não. Isso é um problema.
Por isso, além de papel do tipo "clínéx", vale à pena aqueles lencinhos úmidos que se encontra em qualquer loja de conveniência.
Irônico se não fosse sujo… Assunto interminável, pois falando em sujeira, "número 2" em banheiros públicos não é tarefa fácil. Os banheiros não são sujos, muito pelo contrário, a maioria deles é mais limpo que o de casa. Porém, o estilo da latrina é um tanto quanto desconfortável…
É do tipo "buraco no chão"… praticamente um exercício físico para as pernas. Depois do choque, vem a rejeição. Mas o complicado é que aí, um dia, vem a necessidade. E, claro, a conformidade. Ruim com ela, pior sem ela. Abrace o diabo sem medo e pense na certeza do alívio. Pode amenizar o trauma.
Pois é, e você vence toda essa epopéia e na hora de lavar as mãos não tem um mísero sabonete. Vai entender.
Nunca. Jamais esqueça o clínéx, por favor.
de alma e mãos lavadas (com sabonete),
cheers,
Cassio
modos…
Do nosso ponto de vista não há.
À mesa, o japonês se sente mais do que à vontade.
Muitos mastigam de boca aberta, fazendo aquele barulhinho de comida sendo triturada; quase todos falam de boca cheia e; todos (sem exceção), quando comem lamen, udon ou soba ou tomam sopa ou chá, fazem aquele barulhão pra sorver o caldo ou puxar o fio do macarrão.
Guardanapo não existe. Juro.
Os mais porcos usam o canto da mão, os menos usam aquele paninho quente que vem antes das refeições, os sortudos se utilizam de uma caixa de lenços que raros restaurantes disponibilizam em algum canto escuro e os mais precavidos levam seus próprios lenços para se limpar.
Em suma: tudo o que sua mãe fala pra não fazer à mesa é liberado na Terra do Sol Nascente.
Vai entender… fabricam um assento de privada com controle remoto, mas se esquecem do guardanapo…
(em breve: o lenço não é só útil como guardanapo…)
Nabê
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Nabe-ryori ou comida de panela. O japonês que não tiver uma panela com fogareiro à gas em casa tem de se olhar no espelho e se perguntar o que faz no Japão.
Pois é, esse tipo de comida é um dos campeões de audiência, ainda mais quando está um climinha frio. Há inúmero tipos e infinitos jeitos de se fazer.
Nabê
O mais geralzão que você vê na primeira foto. Numa panela com água fervendo temperada com alga, você coloca o que tiver na sua frente. Verduras, carnes, tofu, macarrão etc. Depois de um tempinho de cozimento, você mergulha a comida num molho de "shoyu avinagrado" (chama-se ponzu) e manda ver.
Shabu-shabu
Esse nome é a onomatopéia do barulhinho que você faz ao mexer a comida dentro da água fervendo. Exemplo: você pega um pedaço de carne, coloca dentro da panela e mexe pra lá e pra cá com o hashi. Esse mexe-mexe faz o suposto barulhinho "shabu-shabu". Depois você mergulha essa carne num molho chamado "gômadarê", que mistura gergelim e infinitos tipos de castanhas. Mas como somos chiques, tivemos o privilégio ter comer um shabu-shabu com o famoso "kobe beef". Nas fotos você pode ver uma mulher de quimono, temperando a água fervendo e os kobe bifes pedindo para serem consumidos. É realmente uma carne de outro planeta. Pode apostar.
Sukiyaki
Ao pé da letra quer dizer: o que você gosta dentro de uma panela que leva um pedaço de banha de boi, que fica derrentendo a noite toda, com molho de shoyu, saquê e açúcar. Aí você joga as coisas dentro, deixa dar aquela "fritada" e, depois, joga numa tigela que tem ovo cru batido.
Haja comida!
o verdadeiro campeão…
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(obs. inicial: o site está com problemas pra baixar fotos… Mas daqui a pouco teremos mais sobre esse tópico)
"Kaitenzushi". Esse é o nome dos restaurantes de sushi no estilo fast-food. Todas as mesas ficam coladas numa longa esteira e você vai pegando os pratinhos, que têm duas peças de sushi cada.
Se não vem o que você quer, basta apertar o botão de um interfone que tem na mesa (na foto, canto superior esquerdo) e mandar ver no pedido. Além da peixada crua, você também pode pedir outros pratos como udon, lamen, soba, sopas, saladas etc. E pra ninguém roubar o seu pratinho, o restaurante coloca uma plaquinha "reservado". Assim, você saberá que ele é todo seu.
Ao final da comilança, um garçon vem até à mesa e conta todos os pratinhos que você pegou e faz a conta pra te entregar a "dolorosa".
Fast-food?
É que não pertence à linha dos "Sushi-ya" tradicionais. Além de trazer a badalada esteirinha, o cardápio traz sushis com maionese, salada e tem até de hamburguer. Um peixe muito presente é o salmão, que você não encontra vestígios nos estabelecimentos tradicionais. Dizem que é um peixe de "segunda"…
A verdade
Depois de sérias pressões, a verdade. Não quero desmerecer o sashimi de cavalo… mas tive de ceder aos pedidos nipônicos e experimentar um sushi de esperma de peixe. "Se você comer, você é meu melhor amigo", disse Yutaka Mori, um senhor de 70 e poucos anos, tio do Vitor, em meio às gargalhadas. Sim, comi esperma de peixe. Não tem gosto, não é bom, mas ganhei um ótimo amigo.
Felizmente, pra vocês. Infelizmente, para mim, este ato insólito foi filmado e você poderá conferir brevemente…
cheers.
Cassio
o campeão

Se a gente parar para lembrar, há um tempo comer peixe cru era algo impensável. Não sei por que diabos virou moda e agora você encontra esses benditos em qualquer esquina (sorte nossa).
Peixe cru no Japão é apenas mais uma comida do extenso (e bota extenso nisso) cardápio nipônico. É impressionante como o japonês gosta de comer. Bom, todo mundo gosta, mais, sei lá, eles tem tara por comida. Se você ligar a televisão sempre vai encontrar um programa com alguém empunhando os "hashis".
Bom, obviamente, não lutamos contra esse "taradismo". Comemos tudo. Não faz idéia do que esses caras comem. Tudo do porco, tudo da galinha, tudo que se mexe e não se mexe dentro do mar.
Pra você ter uma idéia, mandamos ver pescoço e cartilagem de galinha, perninhas de água viva, peixe elétrico e um primo dele, carpa, uns tipos de mariscos bem esquisitos, orelha de porco, todas as variáveis de soja e arroz possíveis, mas elegemos um campeão.
O título vai para o sashimi de cavalo (foto acima).
Vem numa fatia bem fina e crua. Molha-se no shoyu e manda ver.
Cassio Waki admite que é uma delícia, honestamente.
sacanagem…


Aí está o tão falado banho pelado ao ar livre. Obviamente, não dava para fazer as fotos de muito perto, portanto, tivemos que ir para um mirante e tentar bolar alguma coisa.
Desse ângulo você consegue ver o lado masculino do banho natural. O tapume de madeira é a divisória entre as alas masculina e feminina. O telhado, ali ao fundo, é o local para tirar a roupa e colocá-las num armarinho. A água gelada ao redor, pode apostar, é o oceano pacífico. E dentro das pedras, água quentinha, natural e relaxante.
Na outra foto, invadimos a privacidade de algum japonês… Pode ampliar a foto o quanto quiser, mas juro que não é o Cassio e muito menos o Vitor.
O mais engraçado é que nesse mirante pudemos constatar a presença de binóculos… Sacanagem…
com fuso


São 12h26 da tarde e, finalmente, reencontro com um teclado com acentuação, cedilha e o ponto e vírgula, que eu não faço idéia de quando usar. Bom, afinal de contas, é o meu teclado. Lar doce lar, nada melhor do que a sua cama, o seu banheiro, o seu canto.
São 12h28 da tarde, mas, na verdade, é como se Vitor e eu estivéssemos nos primeiros minutos do dia seguinte, ou seja, às 0h28… Por isso, é melhor nem almoçar, pois é como se você estivesse comendo um prato de arroz e feijão em plena madruga…
Portanto, aí vão mais duas imagens noturnas. A primeira do templo Sensoji em Tóquio e a outra uma visão de Kobe, de seu ponto mais alto.
Agora, preciso conversar com meu organismo pra ver se ele já entendeu que, apesar de achar que é noite, é dia. Bom, minha cabeça parece que não pegou ainda, porque persiste uma dorzinha chata… O jeito é obedecer meu olhos rasgados e fechá-los por um tempinho…
cheers!
Cassio
mas…
continuem acessando, pois colocaremos mais fotos e historias que nao conseguimos publicar!
cheers, sempre!
Cassio e Vitor!
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